Em A Montanha, a natureza é protagonista

As velas da diretora assistente Joana Mariani bem que passaram a noite inteira acesas, mas nem mesmo a ajuda de Santa Clara clareou o céu de Friuli na manhã de terça. Conforme a previsão do tempo havia adiantado, o dia amanheceu chuvoso e assim permaneceu por toda a semana.

E mesmo assim, já que o show, e a guerra, não podem parar, fez-se a última (ou quase) cena de A Montanha debaixo de uma chuva (quase) tropical. A apreensão do diretor Vicente Ferraz e sua trupe não era por acaso. A cena do dia era simplesmente o momento ‘mais feliz’ do filme, a chegada dos americanos à pequena San Giusto, o fim da Guerra, dia de festa enfim.

Em geral, como manda o cinema, dia de festa é dia de sol. E quando os americanos chegam, é sempre debaixo de um sol luminoso e feliz.
Como filmar a euforia do fim de guerra debaixo de uma melancólica chuva? Como tantos outros ‘imprevistos’ que a natureza trouxe a A Montanha, a chuva da ‘última cena’, em vez de virar um problema, foi incorporada e aceita pela equipe.

A propósito, sem estragar a surpresa, mas contando o mínimo da cena, tratava-se de quando os americanos chegam à cidade, quando a população local balança bandeirinhas e sorri, finalmente, feliz. Mas nossos pracinhas e o jornalista Rui Silveira, estes, ainda que vitoriosos em sua jornada, não se mimetizam em meio à euforia. Há uma ‘terceira margem’ da qual eles observam o espetáculo da maior guerra da História.

E a chuva, por mais que desse um tom de melancolia à cena, por mais que tivesse transformado a giornata da equipe e dos centenas de figurantes que participam da ação do dia, por mais que tivesse danificado equipamentos, feito morrer de freddo não só os ‘pracinhas do cinema brasileiro’, embaçado as lentes do diretor de fotografia Carlos Arango de Montis, foi mais uma das surpresas desta guerra particular de se filmar A Montanha.

Como bem disse o ator alemão Richard Sammel (Bastardos Inglórios & 007 Casino Royale), que na história faz o papel do ‘tedesco’ desertor, pode ser difícil agora, mas respeitar e aceitar a natureza como personagem ativo, e decisivo, deste filme, vai valer a pena quando se vir esta história contada na tela.

A equipe, que deixou o set no fim do dia ensopada e exausta, mas feliz, concorda. Prova disso foi a comemoração no fim do dia. Não há emoção comparável à de ver equipe, elenco e figurantes batendo palmas e se abraçando no final de uma última cena no fim de um dia difícil. Pense em uma explosão após um belo gol. Ponto para o time de A Montanha!

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