Arte & Figurino

Para falar da Arte no filme A Montanha, temos que começar com o que aconteceu momentos antes de se começar o primeiro dia de filmagem. Com tudo já preparado para começar o trabalho, Vicente Ferraz reuniu toda a equipe e pediu silêncio. No ítalo-português que caracteriza a comunicação neste filme, Vicente começou: “Gostaria de dedicar o primeiro plano a um grande amigo, um grande colaborador, de quem penso muito neste momento: Davide Bassan.”

DavidBassam

David Bassam no Rio de Janeiro durante preparação do A Montanha

Sergio Tribastone, sentado ao seu lado se emocionou com a homenagem. Sergio é o atual diretor de arte do filme e, durante muito tempo foi o braço direito de Davide, um dos grandes na sua área no cinema italiano. Com seu jeito bonachão e irreverente, Davide havia trabalhado com grandes diretores internacionais, como Peter Greenway e Dario Argento, e estava envolvido no projeto de A Montanha desde 2009. Infelizmente Davide faleceu vítima de um derrame em Dezembro de 2010, aos 65 anos.

Sergio Tribastone era a escolha natural para ocupar a posição: diretor de arte já experiente, havia aceito a oportunidade de ser assistente de Davide no A Montanha pela oportunidade de trabalhar com seu mestre e amigo. “Conheci Davide quando ainda era estudante em Florença e Davide veio fazer um filme na cidade com Francesca Archibugi, chamado Com gli occhi chiusi (De Olhos Fechados) em 1994. Através desse filme que entrei no mundo do cinema. Trabalhei com outros diretores de arte, mas Davide realmente formou a minha visão. Tinha com ele uma relação entre filho e irmão mais novo, ele era a melhor companhia, generosíssimo…” diz Sergio. “Quando Davide se ausentou, antes de falecer, senti que foi natural que me chamassem, já tinha ganho a confiança do diretor dos produtores…” Sergio pausa, pensativo: “O engraçado é que Davide as vezes dizia deste o começo: ‘Sergio, esse filme você fazia sozinho com um pé nas costas…’, mas me sinto acompanhado por ele, de algum jeito.”

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Daniel de Oliveira como Guima no set de A Montanha

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Departamento de Arte

“Estou muito feliz com o resultado até agora, temos uma ótima equipe, ótimas locações.” Perguntado dos maiores desafios do filme Sérgio lembra do trabalho necessário para realizar uma das cenas do filme que se passa no interior de um tanque de guerra americano Sherman: “Construir é sempre difícil e o tanque tem sido um desafio. Primeiro fizemos uma pesquisa fotográfica e depois visitamos um ao vivo que tinha em Roma. O truque foi ao reconstruir o interior aumentar 35% o tamanho, para que os atores tenham mais espaço para realizarem suas ações. Além disso, fizemos a construção toda em placas removíveis, para que tenhamos maior liberdade para posicionar as câmeras.”

Além das grandes construções, a arte do filme se faz também sobre o corpo de seus protagonistas, e para isto A Montanha conta com o trabalho detalhista de Elisabetta Antico. “O que mais me atraiu ao filme quando li o roteiro foi a humanidade com que tratava a guerra. Os personagens são primeiro pessoas e depois soldados.” diz ela, enquanto faz os últimos ajustes nas roupas dos figurantes que serão usados na filmagem do dia. “Os detalhes fazem toda a diferença. Quero que o figurino do filme pareça real, único, não uma reprodução de algo que já foi visto antes. Este é o grande desafio.” diz Elisabetta. “As ensígnias usadas no filme são um capítulo a parte. Em alguns personagens usamos o símbolo da Cobra Fumando, que tem uma história interessantíssima: dizia-se no Brasil que era mais fácil uma cobra fumar que o Brasil entrar na guerra e, quando finalmente a FEB foi enviada para combater na Itália, os pracinhas tomaram para si o símbolo da cobra fumando. Em outros, usamos a ensígnia só escrita Brasil, como também era usada na época.”

Correspondente

A insígnia de correspondente de guerra no ombro de Ivo Canelas (Rui)

CobraFumou
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Comments
2 Responses to “Arte & Figurino”
  1. mair tavares disse:

    Da-lhes Vicente; comemoramos depois.Grande abraço

  2. benedetto fratelli disse:

    Davide Bassan (Milano, 24 agosto 1952 – Roma, 31 dicembre 2010)
    Davide moreu con 59 anos., e nao com 65.

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